Histórico da termografia infravermelho

O primeiro detector baseado na interação direta entre os fótons da radiação infravermelha e os elétrons do material foi desenvolvido por Case em 1917. O material empregado em sua fabricação foi o sulfeto de tálio, cuja sensibilidade e tempo de resposta eram superiores as dos bolômetros.

Durante a Segunda Guerra Mundial, grandes avanços foram feitos na obtenção de sistemas de comunicação, visão noturna e reconhecimento utilizando o infravermelho. Os primeiros sistemas de visão noturna consistiam de uma fonte de iluminação, geralmente um farol dotado de filtro, e um conversor de imagens. Sistemas desse tipo, integrados ao controle de tiro de tanques, foram empregados pela primeira vez em 1944 pelas forças alemãs em combates noturnos na frente russa.

Para o reconhecimento aéreo, os norte-americanos desenvolveram o FLIR (Forward Looking Infrared - Visão dianteira por infravermelho), sistema destinado a executar a varredura do terreno à frente da aeronave e fornecer um mapa térmico que permitisse a localização de tropas e veículos.

Ao final da Segunda Guerra Mundial, estavam em andamento os projetos que deram origem aos mísseis Sidewinder e Falcon, ambos equipados com sensores infravermelhos capazes de detectar o calor emitido pelas turbinas dos aviões inimigos.

A partir da década de 50, o desenvolvimento dos sistemas infravermelhos passa a depender cada vez mais das conquistas da física dos sólidos e da microeletrônica. Com a liberação dos dados acumulados nas pesquisas militares, uma nova série de detectores e técnicas de imageamento tornaram-se disponíveis para aplicação em sistemas infravermelhos de uso civil.

Até a metade da década de 60, os equipamentos então existentes para uso civil necessitavam de até 10 minutos para a formação de uma imagem térmica, o que os limitava a distribuições de temperaturas mais ou menos estáveis. Nessa ocasião, foi introduzido no mercado pela AGA Infrared Systems da Suécia, o primeiro sistema infravermelho capaz de formar imagens térmicas instantâneas e dotado de recursos para determinações precisas de temperaturas.

Durante os anos 70, a comercialização de tais sistemas estimulou sua utilização na indústria, na medicina e na pesquisa. Aprimoramentos introduzidos na parte óptica e o emprego de circuitos integrados possibilitaram uma sensível redução de peso e volume nos sistemas então existentes. Surgiram também os visores térmicos, equipamentos sem recursos para medição de temperaturas, porém com excelente portabilidade e muito úteis em aplicações quantitativas e atividades como busca, policiamento e combate a incêndios.

Com a introdução de novos detectores, microprocessadores para a elaboração de dados e imagens e de uma maior variedade de periféricos, pode-se contar, na atual década, com o desenvolvimento de sistemas mais compactos e versáteis. Oriundos da área militar, deverão ser comercializados visores térmicos de menor tamanho, os quais encontrarão uma infinidade de aplicações em atividades cotidianas.

A partir do que se pode depreender de dois séculos de conquistas científicas e tecnológicas, a pesquisa do infravermelho não só enriqueceu a termometria com novas formas de medição, como abriu um novo horizonte na observação do universo térmico que nos cerca.